domingo, 17 de agosto de 2008

Geleiras de Perito Moreno aquecem os corações*

Caminhar sobre gelos milenares é, sem dúvida, uma aventura fascinante. E isto é possível nos confins da Patagônia argentina, mais precisamente na geleira Perito Moreno, no Parque Nacional Los Glaciares. Acompanhados por guias especializados, vestindo roupas térmicas e botas com garras, os turistas podem pisar na geleira mais famosa da América do Sul. Depois de navegar uns 30 minutos no lago argentino - o grupo inicia o trekking.

O passeio é apenas uma amostra desta exuberância de 195 quilômetros quadrados, equivalente à área de Buenos Aires. No topo do Perito Moreno, a 60 metros, altura de um prédio de 15 andares, os aventureiros podem observar os cristais de gelo das extremidades em tons alternados entre o azul claro e o azul turquesa.

Declarado patrimônio mundial pela Unesco, em 1981 por sua exuberância, o Parque com seus 445.900 hectares é rico em atrativos. São geleiras, trilhas, montanhas, lagos e uma farta vegetação para ser contemplada. Os constantes deslizamentos de gelo impõem alguns cuidados - a aproximação máxima do glacial Perito Moreno é de 200 metros, qualquer imprudência pode ser fatal. Passarelas seguras permitem apreciá-lo com tranqüilidade. E o silêncio é interrompido por fortes estrondos, semelhantes a um trovão, que precede o desprendimento de blocos de gelo jogados no lago, alterando a cada dia o visual da exótica paisagem.

Apesar de ser o mais conhecido, pela facilidade de acesso, o Perito Moreno não é o maior glacial. Com áreas superiores estão o Upsala, Marconi, Viedma, Moyano, entre outros.

No Parque não há hotel, mas há uma boa área para camping e o único restaurante oferece um menu variado. Para um melhor aproveitamento do passeio é recomendável contratar um guia da cidade mais próxima - El Calafate, distante 80 quilômetros. Lá há uma boa rede hoteleira e os visitantes são bem acolhidos na pequena comunidade de quatro mil habitantes, que vive totalmente voltada para o turismo.

Um sólido espírito de preservação ecológica impera em toda a Região Patagônica. A presença do homem deve ser disciplinada para evitar risco de poluição dos lagos e dos rios.

Os glaciares são rios que congelam. São vestígios das últimas glaciações quartenárias. Estudiosos crêem que foram originados pelas mudanças atmosféricas e climáticas. E existem devido as contínuas tormentas de neve que se acumulam no inverno. Essas massas compactas de gelo se movimentam lentamente no decorrer dos séculos e isto acontece porque a parte superior empurra o acúmulo de neve, pressionando a parte inferior que vai expulsando pedaços de gelo.

Conhecer essa massa compacta de gelo encanta os visitantes por sua imponente exuberância, mas também provoca sentimento de pavor, pois atrás daquele paredão tranqüilo e silencioso se esconde um fúria que quando desaba provoca um grande espetáculo. Para melhor desfrutar destas esculturas de gelo é aconselhável colocar na bagagem um binóculo e uma câmera, pois o impulso de fotografar é tão exagerado quanto a paisagem que esta se vendo.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Este texto foi escrito em 1995, quando retornei desta fascinante viagem.

Um comentário:

eleonora disse...

Adorei! Viajei no texto e me acendeu uma vontade de visitar esse lugar...
Quero ver fotossssssssssss!!!!!!!