sábado, 30 de agosto de 2008


Fernando de Noronha

Um dos tantos paraíso ecológico do Brasil

sexta-feira, 29 de agosto de 2008


Cidade do Porto

Vinho, murais de azulejos e muito mais



A cidade do Porto transborda cultura. Lá está localizada a Universidade do Porto. E o painel azulejado no interior da estação de trem encanta os viajantes. Passear pelas suas ruas é muito pitoresco. Localizada à margem direita do Rio Douro, a cidade abriga 350 mil habitantes, sem contar a população da Região Metropolitana, que chega a 1,2 milhão. Atualmente, a maior parte do bacalhau consumido em Portugal não vem do Porto, mas da Noruega.

A cidade é conhecida internacionalmente pelo vinho do Porto, que lá é produzido e fortificado. Esta bebida dos Deuses é acondicionada em pipas de madeira de carvalho e, depois de passar pelo processo de envelhecimento, é selecionada e exportada para todos os continentes.

Estive no Porto em 2000. De lá segui de trem para Santiago de Compostela. Como na Europa a maioria dos trens tem vagão restaurante, não me preocupei em tomar o café da manhã no hotel. Saí no atropelo e deixei para fazer o desjejum durante a viagem. Para minha surpresa, aquele trem não dispunha de vagão restaurante e, tampouco, de vendedores ambulantes.

Sentada ao meu lado estava uma psicóloga portuguesa, que me ofereceu bolachas. Mais precisamente, um pacote inteiro. Não foi um café quentinho para aquecer aquela manhã fria, mas uma hospitalidade que não esqueci. E estes atos simples se somam às lembranças da história, da geografia e da cultura, tornando a viagem ainda mais prazerosa.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

quinta-feira, 28 de agosto de 2008


Santuário de Fátima

Peregrinos pagam promessas

Os atrativos do Santuário Nossa Senhora de Fátima são a sua própria história. A igreja católica conta que, em 1917 a virgem apareceu e revelou três segredos para Lúcia, Jacinta e Francisco, então crianças. O primeiro tratava da perda das almas durante a Primeira Guerra Mundial. O segundo versava sobre um grande castigo sobre as nações na forma de uma Segunda Guerra Mundial. E o terceiro, revelado pelo Vaticano, falava do sofrimento de um Papa.

O Santuário é procurado por peregrinos, que vão até lá para pagar promessas. É comum ver pessoas andando longos percursos de joelhos numa manifestação de fé. Ao redor do Santuário há inúmeras lojinhas, vendendo rosários, crucifixos, dezenas, santos e outros artigos religiosos. A única curiosidade da cidade é o santuário. Eu estive lá, assisti uma missa e voltei para Lisboa. Para quem tem pouco tempo sugiro um passeio por Sintra e Cascais, que são mais pertos da capital e, sem dúvida, bem mais interessante culturalmente.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983
Viagem realizada em 2000.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008



Cascais

O medieval convide em harmonia com o moderno

À beira do mar, Cascais é mais do que uma vila de pescadores. Num passeio pelas suas ruas, pode-se observar prédios medievais convivendo em harmonia com edificações modernas. Tudo limpo, arborizado e florido. Cascais fica a dois passos da boca do inferno, uma cratera por onde o mar entra violentamente. Além disso, a azulejaria encontra-se por toda parte, como o notável painel “Paços do Concelho”.

A cidade expandiu-se para receber turistas. Lá há vários hotéis e restaurantes muito agradáveis. Cascais também é palco de concertos, como ênfase para o Cascais Jazz. É bem fácil chegar a Cascais. É só pegar um comboio em Lisboa e em poucos minutos se está nesta encantadora cidade à beira-mar. Vale a pena passar uma tarde em Cascais ou, simplesmente, sair de Lisboa só para jantar por lá e provar as tantas especiarias: os frutos do mar, os vinhos e os doces.

Eu tive o prazer de almoçar à beira-mar em Cascais num dia ensolarado, ouvindo uma música bem suave. Gostei tanto que voltei no dia seguinte só para jantar. Cascais é linda tanto com a iluminação do sol quanto com a lua refletindo nas suas águas. Quando me sentei num restaurante pequeno e simpático, perguntei para o garçom o que era borrego, que estava no cardápio. Prontamente ele respondeu: borrego é borrego, ora, pois. Adorei a espontaneidade e disse é justamente isto que quero comer. Estava uma delícia.

Viagem realizada em 2000
Por Stella Máris Valenzuela - 4983

Sintra

Palácio da Pena – um passeio imperdível


Sintra é uma aconchegante viagem ao passado. Outrora, esta cidade distante a 50 quilômetros de Lisboa, encantou Luís de Camões e Eça de Queiroz. A herança muçulmana pode ser observada nas casas com pátios abertos ao redor de fontes. As construções medievais, renascentistas, barrocas ficam próximas ao Palácio da Vila. Lá as torres do palácio são as chaminés da cozinha. Muito interessante.
Além de passear pelas ruas pitorescas de Sintra, o Palácio Nacional da Pena é imperdível. Uma estrada serpenteada, asfaltada e arborizada leva o turista até o topo -500 metros. É preciso de condução para chegar lá em cima, pois o percurso parece curto, mas não é.
O Palácio da Pena é uma mistura de estilos passando pelo gótico, o manuelino e o mourisco. A sofisticação da sala árabe, o quarto da rainha, a capela, a ponte árabe, a ponte levadiça e a torre do relógio alegram os olhos e acalentam os corações. É uma arquitetura fascinante. Pode-se ir a Sinta de comboio, partindo de Lisboa. Em menos de uma hora se está lá. Vale a pena conferir as tábuas de frios e degustar um vinho durante a viagem a Sintra, além de fotografar muito para guardar na lembrança as belezas desta inesquecível cidade portuguesa.

Viagem realizada em 2000
Por Sella Máris Valenzuela 4983

terça-feira, 26 de agosto de 2008



A pitoresca Lisboa deixa saudades

Fado, bacalhoada e pastéis de Belém


Lisboa é um encanto. À beira do Rio Tejo, a capital portuguesa oferece variados atrativos. No passeio pelo Rossio pode-se ver o Teatro Nacional Dona Maria II com sua construção neoclássica e a Praça da Figueira. Por ali se pega o elevador Santa Justa, construído em 1901, que liga a Baixa com o Bairro Alto, onde se encontra uma escultura do poeta Fernando Pessoa, mais precisamente no Largo do Chiado, um local de cafés com tertúlias e lojas elegantes. Depois de circular pelas redondezas está na hora de um gostoso almoço. Uma boa pedida é a bacalhoada do Restaurante João do Grão, na Rua Augusta.

Um local pequeno. Este estabelecimento passa de pai para filho e preserva os sabores. Aliás, isto chama muito a atenção na Europa. Diferente da cultura brasileira. De um modo em geral, aqui um empreendedor abre um restaurante. Dá certo e o proprietário resolve expandi-lo. Contrai empréstimo, aumenta o negócio, cobra caro e qualidade cai. Resultado: acaba fechando as portas. Lá não. O atendimento é de primeira. Ao invés de aumentar o tamanho, eles preferem manter a freguesia, que encontrará hoje a mesma qualidade de séculos passados. Depois do almoço, uma foto junto ao Arco da Rua Augusta, do século XIX.

Na Alfama se pode ouvir um fado à noite. De preferência, fuja dos locais mais turísticos e prefira uma autêntica apresentação. Mas faça silêncio. Os portugueses amam o fado e não gostam de barulho, quando da apresentação. Na Alfama também está a Sé Catedral e o Miradouro de Santa Luzia. E bem no alto da colina está o Castelo de São Jorge, de onde se tem uma bela vista de Lisboa.

Outro atrativo imperdível é a Feira da Ladra, que funciona às terças-feiras e aos sábados. Além disso, junto à Torre de Belém e ao Padrão dos Descobrimentos dá para adoçar a visita histórica com os famosos pastéis de Belém, uma delícia. Também encontramos esta iguaria em muitas outras confeitarias. Claro, os doces portugueses são famosos. E são estes sabores, os cheiros, as cores, que se traz de uma viagem a Lisboa. Além do carinho dos portugueses, que adoram os brasileiros.

O que ver em Lisboa

Rossio
Praça da Figueira
Elevador Santa Justa
Arco da Rua Augusta
Ruínas do Carmo
Chiado
Igreja de São Roque
São Pedro de Alcântara – Elevador da Glória
Sé – Catedral
Castelo de São Jorge
Miradouro de Santa Luzia
Alfama
Feira da Ladra
Museu Nacional do Azulejo
Museu Nacional de Arte Antiga
Museu Nacional dos Coches
Mosteiro dos Jerônimos
Torre de Belém
Padrão dos Descobrimentos
Praça dos Restauradores
Avenida Liberdade
Praça Marquês do Pombal
Parque Eduardo VII

Viagem realizada em 2000
Por Stella Máris Valenzuela - 4983
"Viajar é a maneira mais agradável, menos prática e mais custosa de instruir-se." (Paul Morand)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008


Cartagena de Índias

Um divertido passeio de chiva rumbera

Na cidade, onde Gabriel Garcia Márquez tem casa e Botero esculturas, o contraste entre o novo e o histórico convive em harmonia.

Passear de chiva rumbera em Cartagena de Índias é um divertimento e tanto. Aqueles ônibus narigudos, multicoloridos e com diversas portas apanham os turistas nos hotéis. A cultura colombiana transborda no percurso. Com chocalhos, músicas, bebidas típicas e comidas regionais, os visitantes se divertem percorrendo a parte histórica, onde fica a cidade amuralhada e a parte nova, com suas edificações super modernas. Em Cartagena de Índia, o histórico convive em harmonia com o moderno.

A cidade contada em livros pelo escritor e jornalista, Gabriel Garcia Márquez, ostenta esculturas de Botero e é tombada como patrimônio da humanidade. A cidade amuralhada esbanja uma arquitetura colonial espanhola. À tardinha, quando os lampiões se acendem, os carros puxados a cavalo levam os turistas a um passeio pelas ruas. As vias são limpas, arborizadas e floridas.

Os colombianos gostam muito dos brasileiros. Além do artesanato, como as bolsas bordadas e peças em cerâmica, há esmeraldas. Caras, é claro. Cartagena proporciona uma imersão na história e está completamente apta a receber turistas de todo o mundo. Há, porém, muitos outros passeios. Entre eles, as Islas Del Rosário, onde se pode mergulhar ou flutuar para ver a barreira de corais.

Viagem realizada em 2007
Por Stella Máris Valenzuela - 4983

quarta-feira, 20 de agosto de 2008











Flutuar em Bonito

Flutuar nos rios de Bonito é uma experiência extraordinária. Cada qual tem a sua peculiaridade. No Aquário, se vê plantas e plantas nos 35 minutos de jornada. A gente tem a sensação de estar dentro de um aquário. As águas do Rio Sucuri são as mais claras. E no Rio da Prata o percurso de duas horas é emocionante. Lá se pode ver dourados em abundância.

Em cada um destes locais, há uma sede de fazenda. Os passeios são em áreas privadas. Os pacotes são comprados nas agências de Bonito. Todos oferecem almoços nas fazendas, roupas, máscaras, coletes e sandálias ou botas próprios para o mergulho. É expressamente proibido colocar os pés no fundo. Esta determinação evita levantar a areia e marear a visão.

Mas, Bonito é muito mais. Tem a Gruta da Lagoa Azul, cachoeiras, trilhas, descidas em corredeiras e escaladas. Sem falar nas famosas cachaças: a tá boa e a tá ruim. Quem visita Bonito, no Mato Grosso do Sul deve dar um pulo no Pantanal. É bem pertinho. O problema são os mosquitos. Mas vale a pena pescar piranhas, passear a cavalo, ver os jacarés e o pôr do sol, é claro.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

terça-feira, 19 de agosto de 2008


Buenos Aires

Não se come bem no Siga la Vaca

A idéia de que a Argentina é sinônimo de paraíso gastronômico não é verdadeira. No Siga La Vaga, no Puerto Madero, os prazeres à mesa ficam a desejar. Para começo de conversa, o local é enorme e barulhento. O preço é fechado. Está tudo incluído. O vinho servido não é bom. As carnes, nem se fala. A salada não tem nada de especial.

E o que é pior: uma fila enorme para entrar. Claro que na capital portenha há inúmeras outras opções. Algunas espetaculares. Mas, o Siga La Vaca, decididamente, não é uma boa escolha.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983



Viagem realizada em 2008

Universidade do Paraná
A mais antiga do Brasil










Fotografada pela minha amiga Luci


Um museu para se cheirar


É isso mesmo. Um museu para se cheirar. O Museu do Perfume fica em Curitiba, no Shopping Estação. Vai além de uma visita visual. É uma viagem pelos sentidos. É só apertar um botão e sentir os aromas. Lá está a história do perfume. Na sala amarela, o Egito. Na vermelha, o oriente. Na azul, a Europa. E na verde, o Brasil. No museu, os apreciadores se deparam com a origem e com a evolução da perfumaria.

Os frascos estão expostos nas vitrines, acompanhados de comerciais antigos. Uma raridade. Também há uma sala com apresentação de vídeo. Os visitantes sentam em almofadas, levam um caninho até o nariz para sentir os diferentes perfumes associados ao nascimento e diversas fases da vida. As recepcionistas são simpáticas. E o que é melhor: é de graça. Esta é uma dica para quem for a Curitiba, uma cidade limpa e que conserva sua histórica arquitetura. É claro que os atrativos da capital do Paraná são muitos. Lá também está o museu do olho, do Oscar Niemeyer.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

História do montanhismo*

O Mont Blanc (4.870 m), em Chamonix, na França, foi berço das primeiras técnicas de escaladas. Em 1760, o estudante Horace Bénédicte de Saussure - apaixonado por montanhas e plantas alpinas -, estudando as feições da montanha, descobriu que seu cume poderia ser conquistado. Durante muitos anos, ele percorreu as aldeias da redondeza oferecendo recompensa para quem conseguisse tal feito. Mas não encontrou quem ousasse o desafio. No verão de 1786, o médico Paccarde e o caçador de camurça e cristais Jacques Balmat venceram os obstáculos e alcançaram o topo. O caminho foi aberto. E outros tantos foram seduzidos pela idéia de contemplar o amanhecer ou um pôr-do-sol do alto de um monte.

A medida em que novos adeptos se multiplicavam, cresciam as dificuldades técnicas de percorrer altitudes cada vez maiores. Valentes alpinistas perderam a vida em busca do sonho de chegar aos 8.000 metros. Mas foi em 1953 que o homem chegou ao topo do mundo. O mérito foi do alpinista Edmund Hillary e do sherpa Tensing Norgay que pisaram pela primeira vez o cume do monte Everest (8.848m).

No Brasil, a primeira manifestação montanhista, de cunho esportivo foi em 1817 com a escalada da face leste do Pão de Açúcar pela inglesa Henriqueta de Carsteirs em companhia de seu filho. O clima e as vistosas montanhas cariocas despertaram o interesse de inúmeros estrangeiros. Expedições tentavam repetidamente escalar os 1.692 metros do Dedo de Deus, considerada uma das montanhas mais difíceis da terra. O triunfo foi vencido em 1912, por um grupo de amigos da cidade de Teresópolis. Passados 7 anos, foi fundado o Centro Excursionista Brasileiro, que serviu para difundir o esporte no Brasil. O Rio de Janeiro se mantém, ainda hoje, como principal centro de escaladas do país.

O montanhismo gaúcho despontou nos anos 50. O impulso partiu do Centro Excursionista Farroupilha, transformado em Clube Gaúcho de Montanhismo, hoje desativado. Edgar Kittelmann, Luiz Gonzaga Cony e seus amigos decidiram escalar o Pico dos Corvos, no conjunto de morros do Itacolomi. Apesar da força de vontade, lhes faltava técnica. Encontraram suporte com o alpinista italiano e refugiado de guerra, Giuseppe Gâmbaro. O grupo conquistou o cume pela via sul. Desta forma foi concluída a primeira escalada técnica do Rio Grande do Sul.

* Matéria de Stella Máris Valenzuela publicada no Extra Classe de dezembro de 98.

Montanhas mais altas do mundo
Nome Cordilheira Altitude
Everest Himalaia 8.848
K2 Himalaia 8.610
Kanchenjunga Himalaia 8.597
Lhotse Himalaia 8.510
Yalung Kang Himalaia 8.501
Makalu Himalaia 8.480
Djaulagiri Himalaia 8.171
Manaslu Himalaia 8.155
Cho Oyu Himalaia 8.152
Nanga Parbat Himalaia 8.125

Montanhas mais altas de cada continente

Nome Continente Altitude
Everest Ásia 8.848
Aconcágua América do Sul 6.959
Mac Kinley América do Norte 6.193
Kilimanjaro África 5.894
Elbrus Europa 5.633
Vinson Antártida 5.139
Cartenz Austrália 2.229

Montanhas mais altas no Brasil

Nome Localização Altitude
Pico da Neblina Brasil - Venezuela 3.014
Pico 31 de Março Brasil - Venezuela 2.992
Pico da Bandeira MG- ES 2.890
Monte Roraima Brasil - Venezuela 2.875
Pico do Cruzeiro MG - ES 2.861
Pico do Cristal MG 2.798
Pico das Agulhas Negras MG - RJ 2.787
Cerro Massiati Brasil - Venezuela 2.506
Pico de Marins SP 2.422
Pedra Furada MG - RJ 2.323
Pico do Itaguaré MG - SP 2.308
Pedra do Sino RJ 2.263
Pedra do Açu RJ 2.232
Mitra do Bispo MG 2.195
Pico do Itapeva SP 2.005

Principais pontos de escalada do Brasil

- Parque Nacional da Serra Geral e Pico do Morcego - RS

- Pedra Branca e Morro da Cruz - SC

- Conjunto Marumbi e Pico Paraná - PR

- Pedra do Baú e do Cuscuzeiro - SP

- Parque Nacional de Itatiaia Pão de Açúcar Dedo de Deus e Salinas - RJ

- Serra do Cipó e Lenheiro - MG

- Pedra Azul e Pico do Itabira - ES

- Pico da Neblina - AM

- Monte Raraima - RR

Principais pontos de escalada no RS

- Pico do Itacolomi, Pudim e Morro da Palha - Morungava

- Morro do Chapéu e das Cabras - Sapucaia do Sul

- Morro do Iê-Iê - Montenegro

- Cachoeira da Colônia - Taquara

- Cachoeira de Santa Maria do Erval - Santa Maria do Erval

- Cachoeira do Chuvisqueiro - Rolante

- Pico da Canastra - Três Coroas

- Vale da Ferradura e Parede Branca - Canela

- Monte Mallakov - Nova Petrópolis

- Cachoeira da Ronda - São Francisco de Paula

- Cerro Botucaraí - Candelária

- Cachoeira do Salto Ventoso - Farroupilha

- Cerro Bordin e Gruta da 3ª Légua - Caxias do Sul

* Fonte - Manual de escalada em rocha, de Orlei Jr.

Quando a parede é uma rocha *

Escalar em rocha é o esporte de Orlei Jr., 25 anos. De 93 a 97 conquistou nove novas rotas alternativas no estado. A vida dele é totalmente dedicada a esta prática. Faz Educação Física no IPA e trabalha como instrutor e guia de escalada em rocha. Nos finais de semana pratica com os alunos. Nas férias de julho sobe rochas do centro do país e no recesso de janeiro escolhe montanhas no exterior. "Quando comecei, em 91 não havia tantos equipamentos. Hoje, com 500 dólares se compra capacete, cadeirinha, mosquetões, corda, fita e sapatilha".

Em julho deste ano, Orlei venceu a maior parede de escalada livre do Brasil. O Pico Maior de Salinas, com 2.150 metros, em Friburgo/RJ. A jornada durou 16 horas. "Este foi a maior via de escalada que fiz na minha vida. Foi a mais difícil em termos psicológicos, físicos e técnicos". Ele também percorreu os 1.692 metros do Dedo de Deus, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no RJ. O cerro Catedral, em Bariloche e o Tronador, fronteira da Argentina com o Chile, estão nos planos do próximo verão.

Mesmo sendo um apaixonado pelo que faz, Orlei sente medo. "Encaro o medo como se fosse uma bola, quando chega perto chuto para mais longe, e assim por diante".

A campeã gaúcha de escalada esportiva em 95, Paula Amaral, 23 anos, que pratica este esporte desde 89, pretende ser a primeira gaúcha a atingir o topo do Aconcágua, na Argentina. Ela conhece todos os pontos de escalada do estado. E já se aventurou por Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Argentina.

O esporte renova a alma de Paula. É o espaço onde ela supera suas fronteiras. Para pisar no cume da maior montanha da América Latina, Paula caminha 2 horas por dia, pratica natação, escalada esportiva, além de suas atividades na faculdade.

O estudante de medicina Eduardo Ren Fontoura, 25 anos é adepto de escalas em Rocha e trekking em alta montanha (acima de 4.500m). Suas maiores façanhas foram chegar ao cume do Aconcágua e escalar o Dedo de Deus e o Pico Maior de Salinas. "Escalar em alta montanha é um jogo de paciência. Muitas vezes são dois passos para frente e um para atras".

* Matéria de Stella Máris Valenzuela publicada no Extra Classe de dezembro de 98.

Trilha na Cordilheira do Himalaia *

Caminhar pelas montanhas é a paixão de Elda Franco, 39 anos. Nas férias, esta fiscal de Tributos, da Secretaria Estadual da Fazenda troca o salto alto por botas de trekking. Em 96, a trilha escolhida foi de Lukla a Gokyo, na cordilheira do Himalaia, no Nepal. Este país asiático, situado entre a Índia e a China, congrega as maiores montanhas do planeta. Lá está o Everest (8.848 metros de altura), considerado o topo do mundo.

De Porto Alegre, ela foi a São Paulo, Londres, Nova Délhi, Katmandu e Lukla (2mil metros de altura) - início da caminhada. Em 12 dias, Elda percorreu diversos vilarejos. A meta foi chegar aos 5.800 metros. Andava das 8h às 16h30min e chegou a enfrentar 17 graus negativos. "O contato com a natureza me revigora. Gosto de conhecer civilizações, que ainda não sofreram a interferência da mídia".

Em 94, repetiu os passos que os incas seguiam para chegar a cidade sagrada de Machu Picchu, no Peru. Foram quatro dias subindo e descendo montanhas. Nesta trilha, o caminhante usa um trem de Cuzco até o km 88. A partir deste ponto começa a subida, que tem seu ápice nos 4.200 metros. Tomada pelo gosto da aventura, Elda também praticou rafting, nas corredeiras de Três Coroas.

Neste ano, Elda realizou mais um sonho - Santiago de Compostela. Foram 24 dias caminhando. Partiu de Puente de la Reina. Mas vencer 739 quilômetros não foi fácil. No quinto dia, os pés já se enchiam de bolhas. Ela teve de deixar as botas de lado, fazer ataduras e seguir de sandália. Foi um sofrimento. Mas o contato íntimo consigo mesma a fez superar a dor. O clima também ajudou, oscilava entre 10 e 20 graus, bem agradável para esta empreitada. E apenas um dia de chuva. Nas costas uma mochila de 9 quilos e no coração o sentimento de purificação. Elda encontrou pessoas legais pelo trajeto, entre elas três gaúchos, três paulistas, um carioca, um mineiro e duas pessoas de Brasília. "A receptividade dos espanhóis aos peregrinos é grande", comenta. Está em seus planos voltar ao Nepal e subir o Kilimanjaro, na África.
* Matéria de Stella Máris Valenzuela publicada no Extra Classe de dezembro de 98.

Descer canyons exige técnica*

Neyton Reis Filho, 35 anos, é bi-campeão brasileiro de balonismo e um dos maiores conhecedores de canyons do Rio Grande do Sul. Nos últimos oito anos fez 69 travessias de canyons com sucesso. O contato íntimo com a natureza surgiu na infância. Gostava de subir as pedreiras no sítio de seu pai, em Viamão. Mas foram os cinco anos de trabalho como enfermeiro na UTI neurológica do Hospital São José da Santa Casa e no Hospital Porto Alegre entre 85 e 90, que levaram Neyton a mudar de vida. "Sentia necessidade desopilar".

Na companhia de um amigo, inaugurou a nova fase. Eles abriram a loja Entre-fendas. Vendiam materiais de montanha e ofereciam cursos de trekking em canyons. Na páscoa de 90 fez sua primeira travessia. Neyton e mais duas pessoas ficaram oito horas e meia dentro do Itaimbezinho. Desceram uns 200 metros pelo vértice e saíram em Praia Grande, em Santa Catarina. Percorreram algo como 5.800 metros. Lá em baixo ficavam abismados olhando as paredes de até 720 metros.

Um estudo meteorológico é indispensável. A precipitação pluvial é o terror desses esportistas. "As chuvas aumentam o risco de bloqueio de passagens, provocam avalanches e fortes correntezas", explica. As dificuldades foram de toda ordem. Muita umidade, terreno escorregadio, excesso de limo, sem falar na fadiga. "A gente movimenta todos os músculos do corpo, inclusive o mais importante - o cérebro".

O desgaste é grande. Para vencer a jornada, se alimentavam com pedacinhos de charque e chocolate. Vestiam roupas de brim e calçavam coturnos. A experiência lapidou o conhecimento. Hoje ele está profissionalizado e também auxilia a Brigada Militar nos resgates de vítimas.

Os cursos, por eles ministrados, duram dois meses. Têm duas aulas teóricas. Nestas, os alunos conhecem os equipamentos, recebem informações sobre primeiros socorros e fatores itinerantes. E aprendem a técnica de nós em cordas. Tem nó para tudo. Para rebocar pessoas, para descida por corda, para ancoragem e outros tantos. O complemento vem com as aulas práticas. Estas consistem na travessia do Churriado, Malacara e Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral.

De Terra de Areia até Urubici/SC há 30 diferentes formações de canyons na borda da serra. Em novembro de 90, Neyton conquistou o Josafaz, o maior de Aparados da Serra, com 15 quilômetros de extensão. E em abril de 97 foi recordista em transposição de parede, superando 850 metros de via.

Esta prática esportiva requer capacete, luvas de proteção, polainas, cinto de segurança de escalada, mochila, mosquetões (anéis de rosca, que servem para segurança), freio para descidas, corda, lanterna de cabeça, cadeirinha e rede de selva.

Numa das idas ao Itaimbezinho, Neyton avistou um balão. Primeiro lhe ocorreu que seria uma miragem, mas acabou encontrando o acampamento dos balonistas. A partir de então fez amizade com a equipe paulista e passou a ser também navegador. Em agosto participou do 11º Campeonato Brasileiro de Balonismo, em São Lourenço, Minas Gerais.

Montanhas e balonismo proporcionam a Neyton contato intenso com a natureza - sua primeira paixão. "A montanha pode levar à morte. Trata-se de um risco, que deve ser assumido pelo praticante. Este, tem de avaliar as condições de seu equipamento. "Os acidentes, em grande parte são causados por falhas humanas, ou negligências na revisão do material".

* Matéria de Stella Máris Valenzuela publicada no Extra Classe de dezembro de 98

De bicicleta até o topo da América Latina*

Unir dois oceanos e uma montanha. A idéia foi de Rudah Azevedo, 32 anos, e Alexandre Dias, 22 anos. O desafio estava posto. E a bicicleta foi o meio de transporte escolhido. Os amigos pedalaram 3.600 quilômetros de Torres a Valparaíso, no Chile, em 1994. O propósito era subir a maior montanha da América, com as bicicletas nas costas. O imponente Aconcágua, com seus 6.959 metros acima do nível do mar foi vencido passo a passo pela dupla.

A empreitada exigiu ano e meio de preparo físico. Foram incansáveis pedaladas de 15 quilômetro/hora a Nova Petrópolis e Gramado. Percurso percorrido em ¼ de dia. "O astral de viajar de bicicleta é diferente. A gente fica abstraído; contempla mais a paisagem", revela Rudah.

A viagem consumiu 3 meses. Eles partiram dia 27 de dezembro de 1993. Em 20 dias aportaram na fronteira do Chile com a Argentina. Durante um mês ficaram acampados em Puente del Inca, ao pé da montanha. Foi uma parada estratégica. Era preciso se aclimatar à altitude e recuperar o desgaste de energias. Cada um perdeu 10 quilos. Eles estavam a 2.720 metros de altura. Os dias eram preenchidos com passeios pelas montanhas das redondezas. Um dia subiam o Bandeirito (4.000 metros), outro o Cerro Cristo Redentor (4200 metros) e assim por diante.

A entrada no Parque Provincial Aconcágua foi em 17 de fevereiro. Feito o registro, Rudah e Alexandre estavam mais próximos de concretizar a etapa principal do grande sonho. Nas costas, a mochila com 45 quilos. Levavam saco de dormir em alta montanha, barraca, roupas resistentes a 20 graus negativos, fogareiro, mantimentos, bastões, óculos, botas com grampos para gelo, lanterna de cabeça, protetor solar e máquina fotográfica. No coração a expectativa. Afinal, como seria o desempenho físico até chegar ao cume almejado? O lado racional estava consciente de que a prática do montanhismo expõe riscos. O uso de equipamentos de segurança e mesmo o acompanhamento de guias especializados, não eliminam as possibilidades de acidentes.

Dos 2.720 metros até os 6.959 metros, os alpinistas percorreram o lado noroeste, considerado o mais "fácil". Não é preciso escalar rochas. Eles chegam ao cume caminhando. No trajeto - cascalho, neve, frio, glaciar e muito cansaço. Os avanços exigem determinação e decisões corretas. Um erro pode ser fatal. "Escalar em alta montanha é um exercício de paciência. Às vezes é preciso ficar dias acampado esperando passar uma tempestade de neve", ensina Rudah.

A aclimatação depende do organismo de cada um. A elevação é paulatina. Se preciso for, os montanhistas recuam até equilibrar as condições físicas. Quatro acampamentos antecedem o topo. Até Confluência (3.360m), a caminhada dura 2 horas. Plaza de Mulas (4.200m) é o local de melhor estrutura logística. O hotel mais alto do mundo fica encravado nesta localidade. Há, também, equipe de médicos e refúgios. Muitos montanhistas contratam os serviços de mulas para carregar suas bagagens até este ponto. Daí para cima não há possibilidade de resgate pelos guarda-parques. Quem necessitar deste auxílio tem que se dispor a desembolsar grandes fortunas para equipes particulares. Na seqüência, a quatro horas vem Nido de Condores (5.350m) e por último, a duas horas Berlim (6.000m). A partir daí é feito o ataque final. Este termo foi herdado dos militares. E consiste em subir até o cume e voltar no mesmo dia. Dependendo das condições do tempo e do terreno - neve compacta ou fofa -, eles dependem de oito horas a 12 horas. Passar a noite neste trajeto pode significar um congelamento.

Nem todos atingem o cume. Como a pressão atmosférica é menor, alguns montanhistas são submetidos a fortes dores de cabeça. Os riscos de edemas cerebral e pulmonar de altitudes são as grandes ameaças. Mas quem consegue a proeza conta que não consegue expressar em palavras a emoção que sente. O topo da América tem aproximadamente 20 metros quadrados. "É uma alegria ver culminado o esforço".

Três outras faces também levam ao cume do Aconcágua. A oeste, pelo Glaciar dos Polacos, é toda em gelo. A sul é a mais difícil, foi onde morreu Mozart Catão, em fevereiro deste ano. E a leste é uma via de subida mista. Ora a caminhada é sob gelo, ora em cima de pedras. A via é bastante perigosa, por isso pouco repetida. Para se ter uma idéia, em 94 morreram oito pessoas nas diferentes rotas e, em 96 houve quatro acidentes e uma morte.

Rudah começou escalando em rochas em 1988. Mas aos 32 anos prefere as altas montanhas. A escalada é mais complexa. Exige paciência. "É preciso administrar o medo. Minha motivação é interior. Escalar uma montanha é mais prazeroso do que acordar todo o dia e ir trabalhar. Tem que ter desprendimento. Minha opção pela montanha é quase que filosófica. No dia-a-dia é impossível tomar decisões sem influências diretas ou indiretas do mundo exterior. Quando vou escalar tenho mais autonomia. Chego o mais perto possível da idéia de liberdade. Me sinto senhor dos meus passos. Fico mais próximo da felicidade".

O fascínio de Rudah por montanhas é tão grande que pisou novamente no cume em 96. Na segunda vez teve a companhia da namorada Aline Becker, 26 anos, primeira gaúcha a chegar aos 6 mil metros. Lá nas alturas, o pensamento de Rudah é canalizado para segurança, comida e água. "O tempo que sobra fico tirando fotos e curtindo o local". Em janeiro, ele tem planos de escalar o Glaciar dos Polacos e em fevereiro, volta como guia de uma expedição gaúcha.

* Matéria de Stella Máris Valenzuela publicada no Extra Classe, dezembro de 98.

Vertente das escaladas

Desde 1786, os homens buscam a paz das montanhas. Este esporte, que exige muita técnica, tem diversas modalidades.

- Alta montanha (escalada acima de 4.500 metros. Não visa a verticalidade. O grande desafio é o clima. Os ventos chegam a soprar 150 quilômetros por hora. Temperaturas até 45 graus negativos.
- Alpina (enfrenta paredes com gelo)
- Big Wall (subida em paredes rochosas. Seus praticantes dormem duas noites na parede)
- Livre tradicional - (Vias maiores de 50 metros, progridem se segurando nas rochas e usando cordas);
- Esportiva (Não visa o cume, mas sim ultrapassar lances difíceis);
- Boulder (escala em pequenas pedras, que não ultrapassam 5 metros)


Modalidades do montanhismo

A prática do esporte em montanhas se divide em várias vertentes, desde que a montanha sempre seja o ponto de partida.

- Canoagem (corredeiras)
- Rafting (descida em corredeiras)
- Mountain bike
- Canyoning (travessia de canyons)
- Rapel (descida de corda)
- Vôo livre (asa delta - pára-gleider)

Estranho fascínio?*


Atingir o topo das montanhas mais altas do mundo requer técnica, planejamento, disciplina e determinação. Esportes, como este, considerados radicais, ganham novos adeptos. Está crescendo o número de profissionais liberais, jovens aventureiros e executivos, que abdicam do conforto de seus lares e partem em busca dos lugares mais inóspitos da terra. Uns fazem trekking em montanhas, outros praticam escaladas em rochas, descem canyons, voam de asa delta, deslizam em correntezas, saltam de pára-quedas, andam em balões. Enfim, eles encontram nestes esportes um meio para aliviar as tensões causadas pela vida contemporânea. A agilidade dos mais jovens é a grande aliada das escaladas em rochas. E a experiência acompanha os balzaquianos às montanhas mais altas do planeta.

O Rio Grande do Sul congrega 500 alpinistas. Muitos já obtiveram conquistas importantes, tanto nos 13 principais pontos de escalada do estado, como em outros continentes. A geografia do Sul ostenta rara beleza. De Terra de Areia a Urubici (SC) há 30 diferentes formações de canyons. No Parque Nacional de Aparados da Serra estão dois deles - o Itaimbezinho e o Arroio Faxinalzinho. São 5.800 metros de extensão e uma profundidade de até 720 metros. Inúmeros aventureiros despreparados e inexperientes deixaram suas vidas nesta monumental obra da natureza. Trata-se de um esporte de risco. E a descida no Itaimbezinho continua proibida, mesmo depois da abertura do parque.

Mas afinal, o que leva as pessoas a procurar locais tão perigosos? O que move cada um é muito pessoal, diz a psicóloga Duse Teitelroit. No entanto, há pontos em comum, como o amor à natureza, o gosto de contemplar a amplitude, as sensações de vitória e conquista.

"Embora nas alturas, são pessoas com os pés no chão. Ao mesmo tempo em que aspiram a liberdade, exercitam uma férrea disciplina. Têm consciência de cada passo. Não partem desprevenidas", explica a psicóloga. E mais, são muito maduras e inteligentes, pois necessitam de respostas prontas para situações não previstas e que nem poderiam ser calculadas. Para obter sucesso, precisam estar bem afetivamente e em paz consigo, pois não serão poucos os momentos de profunda solidão. "Fazem isto por prazer e não por fuga".

A jornada é cansativa, mas não estressante. "Deve brotar um sentimento de paz". O medo do perigo tem de estar presente para equilibrar o limite entre o desconhecido e a autoconfiança. Neste tipo de esporte, eles se sentem mais centrados no mundo, conscientes de si próprios e são movidos por um consistente espírito de solidariedade.

Em algumas montanhas há os livros de cume, guardados em caixas de metal. Nestes, os alpinistas escrevem poesias, estórias em quadrinhos, pensamentos. "Agradeço a Deus por ter nos guiado com segurança até a ponta de seu dedo", anotou Gustavo Marioto, ao concluir a escalada ao Dedo de Deus (RJ), no último inverno. Cuidados e precauções não excluem o risco de acidentes, como o do último fevereiro, quando o Aconcágua tragou o experiente Mozart Catão. Mas o fascínio do homem pela montanha faz com que ele desafie rotas ainda não exploradas.

Trekking na África - O primeiro gaúcho a pisar no cume do Kilimanjaro (5.895 metros de altura) foi o jornalista e editor Airton Ortiz, 43 anos. A investida, na mais alta montanha isolada do planeta, aconteceu em 1997. E exigiu um ano de preparo físico e a leitura de três dezenas de livros. O monte Kilimanjaro, na África, faz fronteira com o Quênia. Em seus 80 quilômetros, abriga três vulcões inativos há 100 mil anos. "A convivência com o perigo de morte me fez valorizar ainda mais a vida", conta. Esta experiência mudou radicalmente seu olhar sobre o mundo.

Antes de ascender ao Kilimanjaro, Ortiz era um executivo que desfrutava do conforto propiciado pela modernidade. Viajava de primeira classe, hospedava-se em hotéis cinco estrelas e freqüentava requintados restaurantes. Como proprietário das Editoras Tchê e Ortiz, teve a oportunidade de conhecer 50 países. Conquistou o ápice de sua carreira como editor aos 40 anos. Oportunidade em que proferiu palestra sobre o futuro do livro, na Universidade de Guadalajara, no México. Na platéia mil editores de 55 nacionalidades. "Cheguei o mais longe possível. A partir daí seria repetitivo. Precisava de outro desafio. Então, retomei o sonho da minha adolescência - viajar pelo mundo, colhendo informações para escrever meus próprios livros".

Sua primeira aventura foi contada nas 264 páginas da obra "Tekking no Kilimanjaro - uma aventura no topo da África", editado pela Record e que será lançado em abril. Em setembro ele desbravou a cordilheira do Himalaia, no continente asiático. No Tibet, percorreu de Land Rover mil quilômetros entre Lhasa e Katmandu, onde se avista a mais impressionante vista da cordilheira do Himalaia. Nos dois meses de viagem, Ortiz experimentou três trilhas. De Jiri ao campo básico do Everest gastou 15 dias, num percurso de 150 quilômetros. E, mais uma vez, foi gaúcho pioneiro nesta meta. Caminhou pelo Kala-Patar (5.600 m) e o Chukun-Peak (5.836 m). Em janeiro, Ortiz começa a escrever sobre esta aventura. O que mais o atrai hoje é a possibilidade de ampliar os limites. "Escalar uma montanha é um ato de humildade. É preciso reconhecer as próprias restrições, para superá-las".

A contemporaneidade, na sua opinião, afastou a convivência do homem com a natureza, o alienando do contato com sua própria origem. "Vivenciar 20 graus negativos na montanha, com frio, chuva e neve te leva a dar outro valor a um vaso sanitário, uma água encanada, um chuveiro quente e uma luz elétrica", observa.

Os obstáculos são ultrapassados um a um. "Se vai paulatinamente vencendo estágios, que no dia anterior eram barreiras intransponíveis. Isto faz com que a gente desconfie que exista dentro de nós uma força muito maior do que imaginamos. Faz com que aceitemos a existência de uma força superior que nos energiza. Num primeiro momento supomos que esta força possa vir da natureza. Mas ela não é física, nem química e tampouco biológica. Então, concluo - só possa vir do espírito".

Ortiz contemplou o amanhecer - no ponto mais alto do monte Kilimanjaro - no dia 17 de setembro. O ataque final foi de madrugada. "Tive muito medo. Mas pensava que este sentimento era circunstancial. Era uma fase necessária para chegar onde havia planejado. A paz foi intensa. Estava totalmente em minha companhia. Quando os primeiros raios de sol despontaram no horizonte - chorei muito. Foi uma grande comunhão comigo mesmo".

Ele desceu da montanha com a certeza de que a harmonia interior é muito mais valiosa do que o limite do seu cartão de crédito. De volta ao Brasil, concentrou-se um ano na narrativa de suas peripécias. Os planos de Ortiz são bastante audaciosos. Pretende escalar o Aconcágua e praticar trekking na Patagônia, no Pólo Norte, no deserto de Saara e o Caminho de Santiago de Compostela.

* Matéria de Stella Máris valenzuela publicada no Extra Classe, em dezembro de 98.

domingo, 17 de agosto de 2008

Geleiras de Perito Moreno aquecem os corações*

Caminhar sobre gelos milenares é, sem dúvida, uma aventura fascinante. E isto é possível nos confins da Patagônia argentina, mais precisamente na geleira Perito Moreno, no Parque Nacional Los Glaciares. Acompanhados por guias especializados, vestindo roupas térmicas e botas com garras, os turistas podem pisar na geleira mais famosa da América do Sul. Depois de navegar uns 30 minutos no lago argentino - o grupo inicia o trekking.

O passeio é apenas uma amostra desta exuberância de 195 quilômetros quadrados, equivalente à área de Buenos Aires. No topo do Perito Moreno, a 60 metros, altura de um prédio de 15 andares, os aventureiros podem observar os cristais de gelo das extremidades em tons alternados entre o azul claro e o azul turquesa.

Declarado patrimônio mundial pela Unesco, em 1981 por sua exuberância, o Parque com seus 445.900 hectares é rico em atrativos. São geleiras, trilhas, montanhas, lagos e uma farta vegetação para ser contemplada. Os constantes deslizamentos de gelo impõem alguns cuidados - a aproximação máxima do glacial Perito Moreno é de 200 metros, qualquer imprudência pode ser fatal. Passarelas seguras permitem apreciá-lo com tranqüilidade. E o silêncio é interrompido por fortes estrondos, semelhantes a um trovão, que precede o desprendimento de blocos de gelo jogados no lago, alterando a cada dia o visual da exótica paisagem.

Apesar de ser o mais conhecido, pela facilidade de acesso, o Perito Moreno não é o maior glacial. Com áreas superiores estão o Upsala, Marconi, Viedma, Moyano, entre outros.

No Parque não há hotel, mas há uma boa área para camping e o único restaurante oferece um menu variado. Para um melhor aproveitamento do passeio é recomendável contratar um guia da cidade mais próxima - El Calafate, distante 80 quilômetros. Lá há uma boa rede hoteleira e os visitantes são bem acolhidos na pequena comunidade de quatro mil habitantes, que vive totalmente voltada para o turismo.

Um sólido espírito de preservação ecológica impera em toda a Região Patagônica. A presença do homem deve ser disciplinada para evitar risco de poluição dos lagos e dos rios.

Os glaciares são rios que congelam. São vestígios das últimas glaciações quartenárias. Estudiosos crêem que foram originados pelas mudanças atmosféricas e climáticas. E existem devido as contínuas tormentas de neve que se acumulam no inverno. Essas massas compactas de gelo se movimentam lentamente no decorrer dos séculos e isto acontece porque a parte superior empurra o acúmulo de neve, pressionando a parte inferior que vai expulsando pedaços de gelo.

Conhecer essa massa compacta de gelo encanta os visitantes por sua imponente exuberância, mas também provoca sentimento de pavor, pois atrás daquele paredão tranqüilo e silencioso se esconde um fúria que quando desaba provoca um grande espetáculo. Para melhor desfrutar destas esculturas de gelo é aconselhável colocar na bagagem um binóculo e uma câmera, pois o impulso de fotografar é tão exagerado quanto a paisagem que esta se vendo.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Este texto foi escrito em 1995, quando retornei desta fascinante viagem.

Atacama: um dos desertos mais áridos do mundo*

Viajar pelo deserto de Atacama é um programa bastante atrativo para aqueles que apreciam o sabor da aventura. Situado no norte do Chile, o Atacama é uma das regiões mais áridas do mundo. Lá se pode contemplar as estrelas e sentir o frescor da brisa sem correr o risco de ser assaltado. A 1600 quilômetros de Santiago, em estrada de excelente asfalto, tem um lugar chamado São Pedro de Atacama. O atrativo do local é o museu arqueológico Reverendo Padre Gusmão Le Paige, que reúne mais de 300 peças antropológicas, uma amostra da sociedade atacamenha. Lá também se pode ver as múmias da época pré-incaica, de três mil e quinhentos anos, algo surpreendente.

Em São Pedro de Atacama não existe hotel, mas os turistas são bem acolhidos em casas de famílias. Caso prefiram melhores acomodações, a opção é hospedar-se em Calama, cidade mais próxima a menos de 100 quilômetros. Come-se muito bem no único restaurante que há no lugarejo. O cardápio sofisticado é preparado pelo próprio dono, um francês que trocou o primeiro mundo pelo deserto.

Por motivo de economia de energia, as luzes da cidade se apagam às 22h. Mas a noite não termina. As lanternas e velas se encarregam de dar o tom ao ambiente. E o momento é próprio para ouvir as musicas folclóricas numa pequena casa de espetáculo.

O orgulho dos moradores é uma pracinha repleta de rosas e girassóis em frente à igreja e feira de artesanato.

Percorrendo o interior desta comunidade, por uma estrada de chão batido se chega ao “Valle de la Luna”, que resistiu à chuva por 400 anos. Suas montanhas coloridas formam esculturas naturais, oferecendo uma paisagem singular. No “Valle de la Luna” se deve abusar do protetor solar e não dispensar um lenço para cobrir o rosto, pois o constante vento e a areia castigam a pele. A escassez de chuva provoca em alguns pontos do deserto rachaduras na terra e as fendas chegam até a dois metros de profundidade.

Para atravessar o deserto de ônibus ou carro é fundamental levar água potável e algum alimento não perecível, pois se roda muitas horas até encontrar um restaurante à beira da estrada. Com asfalto de causar inveja às estradas gaúchas, o deserto segue solitário até Arica, última cidade do Chile, que faz fronteira com o Peru.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Este texto foi escrito no retorno desta viagem, em 1994.

Leões marinhos em Cabo Polônio*


O espírito aventureiro é o passaporte para entrar em Cabo Polônio. Para chegar a esta pequena aldeia de pescadores é preciso passar pelo Chuí, e de lá seguir até Águas Dulces, no Uruguai, a 550 quilômetros de Porto Alegre e 361 de Montevidéu. Nesta localidade, troca-se os carros e ônibus por jipes para seguir o percurso, num passeio recheado de emoções.

Depois de atravessar um vilarejo por uma estradinha de quatro quilômetros de chão batido, os balseiros conduzem os passageiros em pequenas embarcações até o outro lado do riacho, onde um caminhão aguarda para continuar a viagem. As dunas compõem, com o oceano atlântico, um cenário todo especial e à bordo os aventureiros vão sacolejando por mais uns oito quilômetros até estacionarem em seu objetivo - Cabo Polônio.

Caminhando pela praia, subindo as pedras se chega até o farol e é de lá que se pode avistar os leões marinhos espreguiçados sobre as pedras. Em dezembro pode-se observá-los em maior número, porque os machos, expulsos do grupo devido as disputas por fêmeas, deslocam-se até a praia. Nos demais meses, eles ficam em pedras um pouco mais distantes e só podem ser contemplados com o auxílio de um binóculo.

É aconselhável ir a este paraíso com roupas apropriadas para se abrigar do frio e do ventinho gelado e cortante. O retorno para Águas Dulces pode ser feito no início da noite para desfrutar a beleza da lua refletindo no mar - algo fascinante.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Texto escrito em 1995.


Colônia do Sacramento: uma viagem no túnel do tempo *

Colônia do Sacramento é um encanto. A 177 quilômetros de Montevidéu, esta pequena cidade foi palco de disputas entre espanhóis e portugueses, no século XVII. E herdou de seus colonizadores fortes traços da arquitetura portuguesa. Estas construções conservadas concentram-se no bairro histórico, declarado monumento nacional por sua singular beleza.

O descobrimento do Rio de la Plata, conferiu à Colônia, em tempos remotos, importante papel sócio-econômico e hoje, por estas mesas águas, navegam as embarcações que levam os turistas a Buenos Aires.

Bem estruturada para receber os visitantes, a cidade conta com hotéis agradáveis, restaurantes com variada culinária da região e comércio de artesanatos, que se espalha, principalmente pela rua General Flores.

Caminha-se tranqüilamente por suas ruelas floridas e arborizadas, mas o ponto alto fica mesmo no bairro histórico. Neste local, viaja-se no túnel do tempo para descobrir o passado. Entrava-se em Colônia do Sacramento pela “Porta do Campo”, inaugurada em 1745 e construída junto a uma ponte, que, de acordo com os interesses era fechada para proteger a comunidade. A Rua dos Suspiros, toda pavimentada com pedras e com suas casas típicas parece tão íntima como um pátio.

Em frente à Praza Maior estão os museus, a casa Rosada e o Convento de São Francisco. E na entrada do bairro pode-se ver as estruturas da antiga casa do governador, escavadas por estudantes de arqueologia e, atualmente transformada em praça. Colônia do Sacramento tem atraído cada vez mais visitantes e os indicativos apontam que voltará a ser um pólo de atenções, não para disputas, mas sim de integração ao Mercosul.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Texto escrito em 1995.


A histórica e aconchegante Montevidéu *









Situada à beira do Rio de la Plata, Montevidéu é uma cidade tranqüila e aconchegante. Suas ruas repletas de plátanos, compõem, com os casarões antigos, um cenário digno do clique das máquinas fotográficas de seus visitantes. Com um milhão e 400 mil habitantes, metade da população do país, a capital do Uruguai preserva a arquitetura histórica de seus prédios. Resguardando os aspectos culturais, a cidade apresenta algumas semelhanças com Porto Alegre, tanto em relação à área geográfica, como em índice populacional.

Ao contrário da maioria das capitais brasileiras, o centro de Montevidéu é seguro e os visitantes podem caminhar calmamente por suas ruas. À noite é bastante movimentada na avenida 18 de Julho, importante centro financeiro e local de concentração dos cafés, cinemas, teatros, livrarias e galerias. Se vê em suas ruas poucos guardadores de carros, raras crianças carentes nas sinaleiras e alguns mendigos vivendo ao desabrigo.

Um dos principais pontos turísticos da cidade é o Mercado do Porto. Sua estrutura de ferro lembra as estações de trem européias. O início desta obra, que teve sua planta encomendada à Inglaterra, assombrou a população montevideana, surpresa com o uso de novas técnicas e materiais de construção. E é exatamente neste lugar pitoresco que se pode provar os mais variados pratos da culinária uruguaia - saborosas carnes e tradicionais frutos do mar. Músicos e mímicos animam o ambiente somando-se aos artesãos da feira típica e aos comerciantes de antigüidades.

Carrasco é o bairro mais sofisticado da capital. Lá encontra-se o Hotel Cassino Carrasco, construído em 1921, que foi reduto das camadas privilegiadas. Embora seja uma zona tipicamente residencial, há shopping, restaurantes e Pubs. Pocitos é outro bairro que também oferece atrações noturnas. Diametralmente oposto aos bairros chiques está Palermo, lugar humilde de concentração da pequena comunidade negra do país.

Da Fortaleza del Cerro, a 150 metros do nível do mar tem-se uma vista panorâmica da cidade. Esta fortaleza, construída para vigiar e proteger o porto do comércio ilegal que escoava pelo Rio de la Plata, é hoje o museu militar do herói do país, general José Artigas. Seu interior exibe uma farta coleção de armas e fardas. Artigas é presença marcante em todo o Uruguai. Há monumentos em sua homenagem espalhados por todos os cantos do país e, inclusive, na cidade que faz fronteira com Quaraí, no Brasil recebeu seu nome. Tanta reverência se deve ao fato dele ter sido caudilho da revolução de 1811 e o responsável pela convocação do primeiro congresso oriental, em 1813.

Montevidéu é daquelas raras capitais onde ainda é possível contemplar o céu. Seu plano diretor privilegia construções baixas e não há lugar para edificações gigantescas. Pela Rambla, avenida que contorna a cidade se chega às mais variadas praias do rio da agradável capital. E para aqueles que gostam de ir às compras, a cidade oferece cinco shopping - Punta Carretas, Montevidéu, Plaza Arocena, Portones de Carrasco e Três Cruzes. Montevidéu é agradável em qualquer estação do ano.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Texto escrito em 1995.

Pingüins de Punta Tombo*

Uma verdadeira “copacabana de pingüins”- assim é Punta Tombo, na Patagônia argentina, lugar ideal para ser visitado por aqueles que procuram paisagens menos convencionais. Se trata da maior e mais importante colônia continental de pingüins fora da Antártida, com 3 milhões e 500 mil aves. Para se chegar a este paraíso é necessário passar pela cidade de Trelew, na província de Chubut e de lá chacoalhar 100 quilômetros em estrada de chão batido, atravessando estâncias ao longo do caminho.

Os pingüins de Magalhães, que vivem na Pingüinera de Punta Tombo, se dividem em classes sociais. Como a densidade demográfica desta reserva é bastante significativa, eles constrõem as tocas cada vez mais longe da praia. Os que moram à beira mar são os privilegiados - tal localização lhes permite pescar com facilidade, por isso são bem gorduchos. Um pouco mais distante estão os considerados classe média e a um quilômetro da orla se encontram os “excluídos”, tão magros quanto as modelos das grifes famosas. Isto acontece porque as calorias consumidas acabam se desgastando nas longas caminhadas de passos desajeitados entre as tocas e o mar.

Estas aves, que adornavam as geladeiras dos brasileiros na década de sessenta, se mostram bastante tolerantes com a presença dos turistas, desde que não invadam sua privacidade. Visita-se Punta Tombo acompanhado de guias contratados em Trelew, responsáveis por narrar a história desse bichinhos e orientar para os cuidados. Não se deve gritar, pois a balbúrdia incomoda o sono dos recém nascidos. É preciso ficar atento para não pisar nos ninhos, construídos debaixo dos arbustos e é proibido tocá-los, pois uma vez impregnados com o cheio dos homens são abandonados pelas mães.

Embora sendo aves que não voam, os pingüins são perfeitamente adaptados à vida aquática e se encontram em quase toda a costa patagônica. Vivem de oito a dez anos. Com um ano são jovens e aos dois adultos, época em que acasalam. Medem entre 40 e 50 centímetros e pesam de quatro a cinco quilos. Os machos se distinguem das fêmeas por apresentarem bicos mais grossos e longos. Ambos emitem um som que tanto pode ser um cortejo, como um alerta para avisar da presença de estranhos.

Gastam grande parte do tempo com a “cosmética”- arrumando, ordenando e limpando a plumagem com o bico, ritual que lhes assegura a impermeabilidade. Passam muitas horas na água, inclusive dormem nela. São capazes de navegar oito quilômetros por hora saltando fora d’água de vez em quando e mergulham até três metros de profundidade. Em Punta Tombo se fica lado-a-lado com eles e há um local onde é possível observá-los nadando. Muito esganados, comem até três vezes ao dia e expelem um líquido salgado produzido por suas glândulas, o que lhes permite beber água do mar.

Machos e fêmeas se revezam na atenção aos filhotes para evitar que suas crias sirvam de banquete aos predadores - gaivotas e leões marinhos. Os pais defendem os ninhos, incubam os ovos e alimentam “los pichones”. No início de outubro, a fêmea põe geralmente dois ovos, que levam 40 dias para chocar e é normal apenas um sobreviver. Nascem cobertos de suaves plumas acizentadas pesando 80 gramas. Nos primeiros dias não abrem os olhos, mas emitem um piar sibilante e contínuo para pedir alimento.

Em fevereiro trocam a plumagem e em março são levado por seus progenitores, ao mar onde aprendem a pescar, a nadar e a se defender, Voltam à praia para descansar antes de seguir a viagem empreendida a cada ano. Partem de Punta Tombo em abril em direção ao norte da Argentina e ao sul do Brasil e do Uruguai. Alguns mais debilitados se perdem e são encontrados no litoral do Rio Grande do Sul. Portanto, a melhor época para visitá-los é entre os meses de outubro e fevereiro, quando a pinguïnera está apinhadinha deles.

No retorno de cada viagem anual, o macho chega primeiro para limpar a casa. Fiéis ao lugar onde nasceram, voltam sempre para a mesma toca. Cientistas constatam que esse processo é semelhante ao dos homens, que podem percorrer o mundo, mas regressam ao mesmo lar.

O Organismo Provincial do Turismo e a Sociedade Zoológica de Nova York estão estudando os pinguïns de Magalhães, que vivem em Punta Tombo, a fim de assegurar sua proteção. Em alguns é colocado um anel no tornozelo para identificá-los quando encontrados em outros locais. Há no mundo cerca de 22 espécies de pinguïns, a maioria espalhada pelo hemisfério sul. Na Antártida, por exemplo, moram os Imperadores, que chegam a medir 90 centímetros.

Em Punta Tombo se desfruta as maravilhas dessa “metrópole de pingüins”, se recebe uma verdadeira aula de biologia e até mesmo os menos cuidadosos levam consigo um forte espírito de preservação ecológica. É um espetáculo valorizado especialmente por europeus e japoneses e menos procurado por brasileiros. Na Pingüinera há apenas um pequeno restaurante para lanches rápidos e como souvenir todo o tipo de pingüins, desde os ímãs para as portas de geladeiras até adesivos para carro, ou ainda bichinhos de pelúcia. Mas a melhor lembrança é a quem vem registrada na memória en as fotos, é claro.

Por Stella Máris Valenzuela - 4983

* Texto escrito em 1995.